Deus

Para muitas pessoas é impossível conciliar a ideia de um Deus paciente e misericordioso para conosco, com a concepção de um Deus justo e rigoroso. Dependendo como se analisa a questão parece que um atributo cancela o outro. Enfim, teríamos que fazer uma opção entre a misericórdia e a justiça.

Todavia a fé católica, baseada na Escritura e na Tradição, sempre entendeu que não há contradição entre essas duas verdades. Deus é misericordioso e ao mesmo tempo é justo.

Como diz São João Paulo II na sua Carta Encíclica A Misericórdia Divina III, 4: “A misericórdia difere da justiça, mas não contrasta com ela, se admitirmos na história do homem a presença de Deus, o qual já como Criador se ligou com particular amor à sua criatura”.

De fato, não podemos pensar a misericórdia separada da verdade. O exercício da misericórdia pressupõe o acolher o outro e ter paciência com suas limitações. Entretanto, implica também mostrar o caminho da verdade e convidar o outro a entrar na dinâmica da conversão.

Cristo é o nosso grande modelo e quando olhamos sua vida vemos tanto a face da misericórdia quanto a face da justiça. Quantas vezes o Senhor foi doce, manso, paciente e acolhedor. Mas também em quantos episódios foi duro, severo e não conivente com o mal.

No Evangelho vemos tanto Jesus acolhendo a pecadora que alguns queriam apedrejar, como expulsando do Templo os vendilhões.

Enfim, precisamos compreender que a justiça divina não significa um sacrifício da verdade, mas sim um prolongamento da mesma. Deus de fato não possui nenhuma dívida para conosco, mas apenas consigo mesmo na medida em que faz promessas. Ora Ele é justo quando efetivamente realiza suas promessas. Portanto, a justiça de Deus está intimamente ligada à sua fidelidade.

Assim, percebe-se que se conseguimos ser santos ou justos é porque Deus nos trata com misericórdia e é fiel a Ele mesmo cumprindo suas promessas.

Toda essa realidade permeia essa vida. Aqui de fato temos o mundo da misericórdia mediado pela justiça e fidelidade do Senhor. Mas quando partirmos ocorrerá o juízo. Seremos julgados e teremos que prestar contas de nossos desejos, escolhas e atos, não havendo mais misericórdia.

 

Para aprofundar:

Bettencourt, Estêvão T. Curso sobre Deus uno e trino. Rio de Janeiro: Mater Ecclesiae.

Papa João Paulo II. Carta Encíclica A Misericórdia Divina.

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Comments
  1. silvio cesar silvestre da silva

    Bom Joel seira redundante falar deste dom maravilhoso que Deus te deu para nosso crescimento, de falar e escrever sobre coisas tão complexas com simplicidade sem perder a profundidade, bom para os eruditos e para os que como eu desejam conhecer melhor a Deus, apesar das limitações,

    Um forte abraço do teu sempre irmão, “”Silvinho”

  2. Mariza Dias Saes Peres

    Parabéns! Sucesso com seu site, pois você tem um carisma muito grande e um amor imenso para nos apresentar o quanto o verdadeiro Amor nos ama infinitamente, Deus sempre o abençoe.

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